Pela idade, eu sou considerado um jovem adulto
Mas, sem dúvidas, continuo sendo um garoto
São várias as responsabilidades de um jovem adulto
Sendo ele só um garoto ou não
O que faz, então, um jovem adulto perceber que é um garoto?
Simples: ele percebe isso quando se apaixona por uma mulher.
O problema é que, sendo garoto, ele não sabe lidar com isso
E acaba fazendo o que todo garoto faz diante de uma encruzilhada:
fica indeciso, não sabe o que fazer e acaba sentado no chão, chorando.
Essa é, a priori, a sina de um garoto que se apaixona por uma mulher.
O garoto pode, então, optar por se tornar um homem.
Homem, decidido, centrado e conformado
O homem aceita todo o papel imposto a ele pelas estruturas sociais
Ele respira a fragmentação da pós-modernidade e forja aí o seu caráter
Aí está, então, o homem, o parceiro determinado pelo determinismo
para a mulher.
Pode um garoto não querer ser homem e amar uma mulher?
Pode um garoto querer negar a estrada de tijolos de ouro da hombridade
Para continuar sendo um garoto, sonhador, ingênuo, confuso e apaixonado?
À la Sartre et Beauvoir?
É coisa de homem querer colher os frutos da carreira,
Da vida adulta.
Calcular os riscos, prever os danos
Estabelecer, de acordo com a lógica cartesiana
O que deve ser feito e o que não deve ser feito.
É coisa de garoto se apaixonar pelo vento,
Escutar uma música e fumar um cigarro, olhando para a janela
Numa felicidade melancólica de quem aceitou a sentença
Da liberdade.
"O homem é condenado a ser livre"
Perdoem-me os existencialistas, mas aqui eu fico com o Foucault
O homem é o corpo no qual as estruturas de poder agem, determinando-o
Portanto, não é livre.
Livre é o garoto. O garoto é que é condenado a ser livre.
No meu caso, essa condenação veio por meio do amor.
Assim, retomemos o questionamento presente acima:
Pode um garoto não querer ser homem e amar uma mulher?
Podemos tentar, ora.
Podemos mostrar que nem sempre o determinismo prevalece
E que um garoto não precisa ser um homem para amar uma mulher
Por mim, tentamos, porque o outro método já se provou ineficaz
Assim, observemos o que esses dois seres vão fazer da vida:
A mulher e o garoto que está aprendendo a brincar de amar.
De G
Para I.
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